Tenho aprendido um pouco de Blender...

Bom, nas últimas semanas tenho enfrentado o meu maior pânico e pavor da minha vida artística: modelagem e animação 3D. Sempre achei imensamente difícil e impossível pegar o ritmo. Tanto que desde 2020 (durante a pandemia, um clássico) tenho ido e voltado ao Blender inúmeras vezes.


Mas dessa vez algo aconteceu que simplesmente tudo clicou. Tudo fez sentido. Tudo pareceu se encaixar no lugar e consegui sair do básico e chegar na retopologia e rigging. Obviamente, tudo de modo muito básico e amador, mas já dá para fazer muitas brincadeiras interessantes.


A economia de tempo para a minha produção atual seria muito bem quista e me daria espaço para evoluir a minha dissertação de mestrado adequadamente.

Mas esse seria mesmo o melhor caminho? Porque tenho uma experiência mais vasta com 2D cut-out com After Effects (foi o modo que fiz Apoptosis). Tenho tentado fazer meu filme atual quadro a quadro, mas eu tenho sofrido obscenamente com a inconsistência dos meus desenhos entre os quadros: é minha fraqueza e não consigo estabilizar. Alguns anos de prática seriam o necessário para atingir um headturn decente, que não causasse estranheza estética.


Não tenho esse tempo todo restante para praticar e superar minha falha técnica em desenho. Preciso terminar um filme, finalizar a pesquisa, defender e concluir o mestrado. Provavelmente, aprender 3D para facilitar meu processo e me divertir no caminho seja uma possibilidade adequada para o contexto atual.

Mas a curva de aprendizado do 3D é bem íngreme, independentemente do software empregado. É um tempo que se investe antes de tudo se tornar mais prático da metade para o final do processo.

No entanto, mesmo que eu não consiga concluir essa curva no tempo desejado, eu poderia - pelo menos - emprestar as perspectivas dos objetos em 3D para redesenhar em 2D. Dá para aproveitar bastante do Blender em outras técnicas também. É como fiz com essa peça em 2D: abri o Krita, copiei uma captura de tela do rosto modelado no Blender em uma camada, fiz um tracing e só usei o Fill Brush para ir modelando os valores em escala de cinza na imagem. 


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E já funciona muito bem fazer assim. É um caminho alternativo para manter a constância facial, que não é o meu forte.


Bom, essas horas são das três últimas semanas de Blender. Ainda estou modelando os assets e praticando shape keys e armature rigging. Vai dar certo? Não tem como saber. Se der certo ou não, acho que o que vale mais é a jornada (que têm sido muito divertida).